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COLLEGIUM MUSICUM DE SÃO PAULO

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O COLLEGIUM MUSICUM DE SÃO PAULO foi fundado em 1961, sob a direção do maestro Ronaldo Bologna, como um conjunto vocal e instrumental que tinha por objetivo divulgar a música Medieval, Renascentista e do início do Barroco.

Nas suas primeiras apresentações, o Collegium Musicum revelava já, as possibilidades de vir a se tornar um conjunto diferente e original, a movimentar as realizações artístico-musicais de nossa cidade.

Os ensaios do Collegium Musicum iniciaram-se em 1961, e em 1962 foram realizadas as primeiras apresentações, em forma de saraus dedicados à música francesa da Idade Média e da Renascença, algumas para solistas e instrumentos, outras para conjunto coral.

Em composições de Adam de la Halle, G. Binchois, G. Dufay, entre outros, destacavam-se sopranos como Shirley Donadio e Marilena Emmerich; contraltos como Marilena Aquino Tavares e Mariangela Réa; tenores como Henrique Gregori e Samuel Kerr; baixos como Paulo Herculano e Klaus-Dieter Wolff.


Collegium Musicum em sua primeira formação. A partir da esquerda: Shirley Donadio, Maria Helena Emmerich, Mariangela Réa, Marilena de Aquino, Henrique Gregori, Samuel Kerr, Sandino Hohagen, Klaus Dieter-Wolff, Ronaldo Bologna.

Na parte instrumental, ao alaúde, Maria Lívia São Marcos; na flauta, Sandino Hohagen e, ao violino, Alejandro Ramirez. Composto de quatro vozes femininas e quatro masculinas, o coro executava peças de Josquin Des Prés, Jannequin, Lassus e Sermisy.

Nesses primeiros anos, importaram o calor da iniciativa, a qualidade do repertório, o sentido cultural e artístico da programação e a extensão do repertório habitual dos conjuntos desse gênero para zonas pouco exploradas da história da música.

Ronaldo Bologna, a quem se atribui o êxito alcançado pelo conjunto, recebeu em 1963 uma bolsa de estudos da Alemanha e não pode mais dirigir o coro. Foi, então, substituído pelo compositor e maestro Roberto Schnorrenberg, que passou a ser o regente titular do Collegium Musicum. No ano anterior, recebera da Associação Paulista de Críticos Teatrais e de Música, o prêmio de melhor regente do ano (1962).

Schnorrenberg, como estudioso da música medieval e renascentista, juntamente com Klaus-Dieter Wolff, direcionou o conjunto para o repertório de música renascentista e barroca.

O repertório apresentado nessa época compreendia compositores como: Pérotin, Josquin Des Prés, Thomas Morley, John Dowland, Claudio Monteverdi, entre outros.

A música coral do período histórico do repertório era executada, à época de sua composição, por coros masculinos e vozes de crianças. Vários obstáculos práticos e teóricos - por exemplo, as diferenças entre a altura da afinação em tempos idos e no presente, a dificuldade de encontrar-se, na época (década de 60) em nosso país, vozes especiais como a de contratenor, etc. - obrigaram o Collegium Musicum a basear as suas execuções em conjunto vocal misto, considerando, entretanto, que tal não constituía uma alteração dos textos musicais apresentados, mas sim uma adaptação às condições, da época, de execução em concerto.

Os madrigais renascentistas eram executados por solistas, ou seja, um cantor por parte, em ambientes familiares e pequenos. A execução em auditórios de concertos e teatros obrigava ao emprego de um maior número de cantores por partes. O Collegium Musicum procurava, não obstante, escolher os madrigais que melhor se prestassem a esse tratamento, preservando em sua execução um espírito camerístico.

Em 1964 e 1967 o conjunto recebeu os prêmios de Melhor Conjunto Coral, conferidos pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

No ano de 1968, o Collegium Musicum foi responsável pela primeira montagem e apresentação em estréia brasileira da peça sacra de Claudio Monteverdi, "Vespro della Beata Vergine", uma obra exclusivamente para coro, com 2 horas de música, quase um mito na música coral, tal como o "Messias" de Händel. Os eventos a ela vinculados foram sempre de muita amplidão. Obra para 2 coros, teve, todas as vezes em que foi montada, a participação de algum outro coro: na primeira montagem participaram também o Conjunto Coral de Câmara de São Paulo e o Madrigal Ars Viva de Santos, com os maestros Schnorrenberg e Klaus-Dieter Wolff; em 1979, remontada pelo próprio Schnorrenberg, contou com a participação do Conjunto Coral de Câmara de São Paulo e do Madrigal Klaus-Dieter Wolff, que foi regido por Lutero Rodrigues; em 1988, com direção do maestro Abel Rocha, cantaram os corais Collegium Musicum e Coral Paulistano (coral do Teatro Municipal, regido, na época, por Abel Rocha). Esses corais sempre tiveram atuação conjunta em diversos eventos, mesmo porque o maestro Schnorrenberg mantinha um trabalho junto a eles.

Desta época da história do Collegium Musicum participavam, ainda, músicos como Klaus-Dieter Wolff, que cantava no coro e regia o Conjunto Coral de Câmara, do qual foi fundador. Klaus-Dieter foi uma das mais importantes personalidades - como ser humano e como músico - do cenário musical paulista e brasileiro da época. A vitalidade do movimento coral em São Paulo é, em grande parte, devida às suas atividades e ações. Após a morte de Klaus, em 1974, o Conjunto Coral de Câmara passou a ser regido por Roberto Schnorrenberg.

Nessa época, também, participavam grandes cantores como Mariinha Lacerda, Neide Carvalho, Marisa Fonterrada, Samuel Kerr e Nina Montenegro, cantora camerista na época e até hoje integrante do coral.

Na década de 70 o Collegium Musicum participou de eventos em várias outras cidades, como Curitiba e São José dos Campos, apresentando um repertório renascentista (como na década de 60), que ganhava espaço. Personagens como Helder Parente, professor de música, e Edmundo Hora tratavam do repertório renascentista e preparavam a parte instrumental nos festivais de Música de Curitiba.

A participação do Collegium Musicum nos vários Festivais de Música Sacra, ocasião em que obras de expressão religiosa, que representam o ponto culminante do patrimônio da arte musical, são apresentadas, foi intensa nessa década. O coral apresentou um repertório pré-clássico, anterior ao século XVIII, como as composições de John Bull, N. Ammerbach, Ockeghem, Obrecht, Finck, Byrd, Couperin, Händel, clássicos como Haydn e outros compositores. Também nessa década, ocorreram os Festivais Internacionais de Curitiba (75/76/77), dirigidos por Schnorrenberg, dos quais o Collegium Musicum participou e onde era considerado coral modelo (existem registros em fitas de rolo dessas apresentações).

O início da década de 80 foi de intensificação das apresentações do coral em Festivais, como o XII Festival de Inverno de Campos do Jordão, o Encontro de Corais, o Festival de Natal, etc.

Em 1981, sob a regência de Schnorrenberg, o Collegium Musicum montou a comédia madrigalesca Barca de Veneza para Pádua. Foi essa a primeira montagem da obra secular de Adriano Banchieri, obra que prenunciou as óperas. A preocupação de Schnorrenberg em trazer à música coral e ao público um repertório novo, ainda não apresentado, levou o Collegium Musicum à montagem dessa obra, que foi apresentada em São Paulo e também levada ao Rio de Janeiro, na Sala Cecília Meireles. Merecem menção, nessa montagem, as participações da cravista Regina Schlochauer e da organista Dorotéa Kerr.

Schnorrenberg era, então, primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Musicologia, voltada para a pesquisa e trabalhos teóricos sobre a música brasileira. Isso possibilitou uma outra linha de trabalho do coro: a execução do repertório brasileiro, do barroco mineiro, principalmente, cujas peças foram restauradas.

Mas, em 12 de outubro de 1983, morre o incansável e grande maestro Schnorrenberg, o Schnô, como era carinhosamente tratado pelos integrantes do coro, aos 54 anos, após a implantação de uma ponte de safena por ter sofrido um enfarte.

O Coral Collegium Musicum e os alunos do mestre mantiveram os compromissos assumidos por Schnorrenberg até o final de 1983. Alguns concertos foram apresentados sem regente. Nesse ano, houve uma certa desintegração do coro, que acabou por seguir existindo devido à determinação de um grupo de músicos que desejava manter as atividades para conservar viva a proposta de trabalho do coral e a memória de Schnorrenberg.

O final de 83 e o início de 84 foi uma época de reestruturação do coro e de uma nova regência: Abel Rocha, que já cantava no coral desde 1980. O grupo, reorganizado, convidou novas pessoas para participaram do coro. É um ano de pouca atividade. Mas, a partir de 1985, quando o coral foi convidado a participar das comemorações dos 300 anos de nascimento de Bach, as apresentações foram se intensificando.

Nas comemorações dos 400 anos de nascimento de Heinrich Schütz, quando o Collegium Musicum se apresentou com instrumentistas convidados e cantores como Marta Laurito, Julio César Nobre, Eduardo Jahno-Abumrad e Caio Ferraz, o coral já estava novamente estruturado com pessoas novas.

Em 1987, o Collegium Musicum apresentou a obra Dido e Enéias, de Purcell, no evento "Música no Páteo", ano II, juntamente com a Camerata Brasileira, com apresentação e comentários do Maestro Walter Lourenção.

O ano de 88 foi ano de remontagem do Vespro della Beata Vergine, sob direção e regência do maestro Abel Rocha, com a participação do Coral Paulistano, da Camerata Atheneum e da Academia Antiqua.

Em 1990, após reapresentação da obra Dido e Enéias, o maestro Abel Rocha recebeu bolsa de estudos para cursar pós-graduação em Regência de Ópera, na Alemanha. Em seu lugar, a seu convite, assumiu a regência do coro a maestrina Marieddy Rossetto. Apesar da mudança de regente, a proposta de trabalho continuou a mesma e o coral permaneceu com a mesma formação.

Sob a regência de Marieddy o coral apresentou, em 1990, 91 e 92 obras de Schütz, Hans Leo Hassler, Francis Poulenc, Anton Bruckner, Johannes Brahms, Franz Schubert, William Byrd, com a participação, como solistas, e Martha Herr, Silvia Tessuto, que já tinham participado como coralistas do Collegium e de Carlos Eduardo B. Marcos.

Em novembro de 1992, o maestro Abel Rocha reassumiu a regência do coro e a participação, durante 1993, em Encontros de Corais, apresentando músicas sacras, e em concertos vários.


A primeira gravação para TV foi feita em novembro de 1993, com a gravação do Especial de Natal da TV Cultura, "Aleluiah", na Igreja do Carmo.

A atividade mais destacada do coral durante o ano de 1994 foi a gravação, para a Rádio Cultura, do Festival Camargo Guarnieri, uma homenagem ao mais importante compositor de música brasileira erudita contemporânea. Nessa ocasião, o coro apresentou a "Missa Diligite", com regência de Abel Rocha.

O ano de 1995 foi marcado pela participação do coro no Ciclo de Concertos "The Best of Opera", na Sala São Luiz, em São Paulo, que teve na direção musical o maestro Abel Rocha. Na organização, também nesse ano, do Festival de Música Sacra, estavam Abel Rocha e o organista Nelson Rodrigues da Silva.

Em 1996, novamente com a participação de Nelson Rodrigues da Silva, como organista, o coro participou do II Festival de Música Sacra com obras de Mendelsshon e Dvorák, repertório sacro romântico, cuja execução é possibilitada pelo fato de agora o Collegium Musicum ter 40 integrantes.

No concerto que deu início à programação dos 35 anos de aniversário (12 de outubro de 1996), o Collegium Musicum executou uma programação que rememorava o passado, suas músicas e ex integrantes.

Neste ano de 1997, participou do III Festival de Música Sacra, num programa dedicado a compositores Brasileiros e latino-americanos. Atualmente com 33 integrantes, rezliaou uma série de concertos de Natal e intensa programação no ano de 1998.

 





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